Fatoka é apontado como peça-chave em esquema em Cabedelo

Operação aponta ligação entre facção e contratos na prefeitura

Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, chefe do Comando Vermelho na Paraíba, foi apontado como peça‑chave em um esquema investigado pela Polícia Federal e pelo Gaeco que resultou no afastamento do prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto. Documento do Tribunal de Justiça da Paraíba, assinado pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, indica que Fatoka indicava pessoas para contratações por meio de empresas terceirizadas, com registros internos que teriam usado a sigla “FTK”. A operação alcançou Edvaldo e outros 12 investigados, entre eles a então secretária de Administração Josenilda Batista dos Santos, descrita como operadora interna, e o ex‑prefeito Vitor Hugo, apontado como articulador inicial do esquema.

O mesmo documento registra depoimentos, inclusive de uma integrante identificada como “Arroto de Urubu”, que atribuem a Fatoka ordens que iam do controle armado de territórios à influência sobre contratações em Cabedelo. A investigação descreve licitações supostamente direcionadas que teriam favorecido empresas como a Lemon, retorno de recursos por meio de propinas e “folhas paralelas” e a colocação de indicados da facção em cargos estratégicos; a sogra de Edvaldo foi identificada como advogada do suspeito. Fatoka tem histórico de prisão desde 2012, participou da fuga em massa do PB1 em 2018, foi recapturado em Alagoas, liberado sob medidas cautelares, rompeu tornozeleira eletrônica e teria fugido para o Rio; ele também é alvo de apuração por aliciamento de eleitores nas eleições de 2024. Defesas negam envolvimento e a empresa Lemon afirmou que está colaborando com as investigações.