MP e Câmara investigam deputado por contratos de aluguel

Casa bloqueou CNPJ e Ministério Público pede devolução

Wilson Santiago (Republicanos) utilizou R$190.740 da cota parlamentar para locação de dois veículos de alto padrão entre maio de 2024 e março de 2026 junto a uma empresa cujo quadro societário inclui os sobrinhos Thiago Santiago, Thaísa Silva Santiago e Thialla Lira Santigo. O primeiro contrato, vigente de maio de 2024 a abril de 2025, tinha valor de R$8.100 por mês; a partir de maio de 2025 o parlamentar passou a alugar um modelo mais caro, em torno de R$12.000 mensais.

A Câmara Federal bloqueou o CNPJ da empresa para impedir novos reembolsos e lembra que o regimento veda ressarcimento a empresas de parlamentares ou parentes até terceiro grau, hipótese que pode levar à restituição dos valores pagos. O Ministério Público apresentou representação ao Tribunal de Contas da União pedindo multa e a devolução dos montantes com correção e demais encargos; o documento, assinado pelo subprocurador‑geral Lucas Rocha Furtado, afirma que concentrar quase todas as despesas de locação na empresa dos sobrinhos pode transformar a cota parlamentar em fonte de renda familiar. A assessoria de Santiago informou que não haverá manifestação.