12/08/2004: Delegado preso em esquema de desvio de drogas

Áudios mostram operador falando sobre venda de anabolizantes

Áudios reunidos na investigação da Operação Perfídus indicam participação do delegado Braz Morroni e de dois investigadores da Polícia Civil em um esquema de desvio e comercialização de drogas e armas. Foram presos o delegado Braz Morroni e os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”. Nas conversas interceptadas, Everton admite comandar a venda ilegal de anabolizantes, afirma que o comércio lhe rende mais que o salário público, que fideliza clientela e que opta por manter volume e carteira de clientes limitados para reduzir risco de flagra e justificar a posse como consumo pessoal.

A apuração reuniu milhares de áudios e aponta movimentação financeira estimada em cerca de R$ 10 milhões ao longo do esquema. A Justiça expediu nove mandados de prisão — a maioria cumprida — e determinou bloqueio de bens e buscas em diversos endereços. O material de investigação descreve Braz como beneficiário de repasses e provedor de proteção institucional, Everton como elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar, negociar e contabilizar carregamentos, além de atuar na importação irregular de produtos, e Eduardo por subtração de entorpecentes, monitoramento de cargas e armazenamento em residência. Outros presos e investigados têm funções atribuídas na cadeia de distribuição e na lavagem de recursos.