Veto da UE e plano chinês pressionam agro brasileiro
Pressões de Europa e China exigem ação estratégica do Brasil
Decisão da União Europeia de vetar a compra de carnes brasileiras a partir de setembro e o plano da China de reduzir importações e ampliar autossuficiência agrícola pressionam o agronegócio do país. O veto europeu decorre da ausência de comprovação, por parte do Brasil, de que produtores cumprem regras de vigilância do bloco; em resposta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes afirma que a carne bovina brasileira atende requisitos sanitários e regulatórios, com controles oficiais e rastreabilidade. Para o especialista em comércio exterior Jackson Campos, o efeito pode ser relevante sem, no entanto, devastar o setor, porque implica a perda de um mercado de alto valor agregado que remunera melhor determinados cortes. O bloco europeu foi responsável por 15% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a US$ 25,2 bilhões, sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.
O plano chinês de reduzir dependência de importações e fortalecer produção interna também preocupa: a China responde por 33% das exportações agrícolas do Brasil e ampliou compras de soja de US$ 27,2 bilhões em 2018 para US$ 31,5 bilhões em 2024. Campos alerta que a mudança é sensível no médio prazo e reforça a necessidade de diversificar mercados; a internacionalista Ana Beatriz Zanuni defende intensificar articulações diplomáticas e destaca que Pequim tem buscado diversificar fornecedores e investir em logística na região, o que cria espaço para manter o Brasil como fornecedor estratégico, condicionado a ações diplomáticas e investimentos.
